Artigo: Obras industriais: oportunidades e desafios

 

“Estamos em meio a uma situação político-econômica conturbada. Após quatro anos de profundo encolhimento da economia, especialmente na engenharia e construção, vimos empresas enfrentarem dificuldades crescentes com a redução de contratos e de pessoal, ou mesmo encerrarem suas atividades. Entretanto, os pequenos avanços na atividade econômica de 2018, com a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) pelo segundo ano consecutivo, após dois anos de retração, e a realização das eleições no país, possibilitam trabalharmos com cenários menos pessimistas para o segmento.

Já é possível ver sinais que indicam uma tendência de retomada do crescimento, porém, devemos ser cautelosos, pois para 2019 as novas estratégias que serão adotadas nos cenários econômico e político ainda são incertas e o nível de confiança na melhora do ambiente de negócios ainda é muito tímido.

Diante desse panorama, penso que nesse momento um esforço paralelo precisa ser no sentido de seguir lado a lado com as transformações que o mercado está nos sinalizando como caminho. A era da tecnologia impõe agilidade na tomada de decisão, e vem nos sinalizando uma quebra de paradigmas na forma de se fazer engenharia.

O uso do BIM (Building Information Model), por exemplo, é uma delas. Ao que tudo indica, nos próximos anos, a ferramenta será aliada das empresas do segmento, seja por uma definição estratégica, seja por uma imposição do próprio mercado. Essa metodologia está sendo tema recorrente em todos os fóruns de debate, e também na Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por sua capacidade de agregar todas as partes envolvidas no planejamento da construção, fornecendo informações aprofundadas e detalhadas. Mas além desse, temos ainda muitos outros exemplos, como a possibilidade de utilização de aplicativos para um monitoramento em tempo real do avanço das atividades etc.

Outro desafio que vem sendo requerido pelo mercado é a necessidade de uma coordenação cuidadosa do planejamento das diferentes disciplinas de um projeto, melhorando o processo de comunicação entre as partes, envolvendo especialistas na eliminação de desperdícios e, acima de tudo, atentando às tecnologias e materiais que estão sendo lançados. Nesse viés, é importante que a gestão compartilhada, processo de gestão com eficácia comprovada, seja colocada em prática.

No Brasil, o índice de projetos bem-sucedidos em prazo, custo e qualidade é relativamente baixo, girando em torno de 60%, de acordo com pesquisas setoriais. Nos países mais desenvolvidos, tal índice chega a alcançar os 80%. Diversos fatores contribuem para isso, desde a falta de transparência até a pouca abertura das empresas envolvidas nos projetos para discutir abertamente, de forma imparcial e justa. Isso, somado a uma tímida utilização da engenharia de valor, às mudanças frequentes de escopo e à morosidade nos processos de licenciamento dos projetos, leva uma parcela considerável dos empreendimentos ao insucesso. Através da gestão compartilhada é possível minimizar esses impactos e auxiliar na correção dessa rota, mostrando-se um caminho importante para construir projetos bem-sucedidos.

Somente um esforço conjunto para a viabilização de novos projetos trará oportunidades para o setor. O Sinduscon-MG tem uma vice-presidência dedicada ao segmento de construções industriais e também preside, na CBIC, a Comissão de Obras Industriais. A instituição vem, portanto, envidando o melhor de seus esforços e conhecimento no sentido de trazer novas alternativas que permitam melhorar o nível de sucesso dos projetos, encurtar caminhos na implantação de novas metodologias, como o BIM, e incentivar, através da gestão compartilhada, uma atuação conjunta das contratantes, contratadas, gerenciadoras e projetistas. O sucesso nesta empreitada requer o pleno engajamento das empresas e profissionais que atuam no setor.”

Ilso José de Oliveira – Diretor-Presidente da Reta Engenharia


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